quinta-feira, 5 de outubro de 2017

13/06/15

Eu tenho um templo chamado corpo
Totalitado de um todo não visível
Onde jaz um reino apalpável à mim
Um caminho não visto pelo todo
Uma fortaleza guardada para mim
(feita sob medida)
Acalenta-me a maior das dores
Esconde-me do pior dos olhares
Diz-me que sou além de mim.

O corpo chora
A  alma padece
O corpo padece
A alma aflora
O corpo padece
Alma à fora

17/03/17

Abro o véu que há em mim
Te deixo entrar
para mostrar camadas encobertas
Por puro ego meu
Visto um sorriso pleno
dotado de devaneios e alusões
Iludo com canto mudo
Meu troféu de ilusões
Capacito meus ouvidos a te ler
Decoro olhares pra te entreter
Bocejo palavras aflitas, mendigas, ríspidas
repetidas, perdidas, assíduas
Caso pensado
Te deixo entrar e sair
Deste universo
Cá em mim.

Um vinho cai bem

Tarde e chuva
lembra e revela
ar de ninho
corpo e vinho

Sereno, menino
água vestindo
verdes finos
ouço gotas rastejantes

Prenda cara
rara vista
endossa e cumpre
beleza tinta da conexão servida

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

10/08/17

Tudo em você me diz
O quanto a vida é rara
O quanto a vida é leve (leve e traga)
Leva a traz
O quanto a fuga é breve
Leve figura breve
A fuga traz
Ficar não diz
Pensar desfaz
Escrever condiz

Sou breve criatura no espaço-tempo
Tempo imploro perdão
Tempo me pego de visão
Tempo ora em comunhão
Sou breve criatura no espaço do meu tempo

Rara exceção em estado de espiação
Observo e não comento
Observo e rogo vento
Faço fogo e me esquento
Choro água e nela me purifico
Pé na terra, me faço fixa
Com o pé cravado na terra e a cabeça na esquina
Na fita, no céu, na melodia, na memória
aflita, no meio do dia, na menina, na (des)harmonia... na cantiga
Eis o que olhar para dentro me diz

_Prazer, a Deusa que habita em mim, te saúda e sorri para ti.

De saudades em saudades, remonto um blogue.

É noite.
Sentada, só, num banco alto dum ônibus qualquer
As pessoas na rua são pinturas
A rua é caos
Os fones são alento
O vento me beija
Meu cabelo esvoaça
Retribuo
Jogo amor pela janela

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Ensaio de uma volta

Chego de leve e vos deixo uma prosa melodia. Viva Tom Zé!

"meu sangue é de
gasolina
correndo, não tenho
mágoa
meu peito é de
sal de fruta
fervendo no copo
d´água"

domingo, 16 de agosto de 2015

"Não sejamos breves"

Todos andam muito rasos
E eu que não ando. Transbordo.
Me perco com frequência.
Tolero paredes como se tolerasse bares.
Atropelo momentos, como se atropelasse pedras.
Tenho a cara enlouquecida, tamanha falta de destreza com os outros
Os outros...
Tenho cara de prisão de ventre, comparada à cara dos outros
Não sejamos breves.
Não sejamos breves.
Não sejamos breves.
Como um mantra ecoa
E eu.. que tento ser brisa
Me vejo tempestade, em meio aos outros
Tempestade com cara de prisão de ventre.
Tenho apetite de imensidão.
E um peito açoitado
Peito assolado
Peito avesso
Mas guardado e cheio de apetite, saliva por imensidão.

sábado, 23 de maio de 2015

.

"Disserto sobre o caos apoteótico
da paixão sub-humana
Sobre o humano. subaquático.
Esporão transcendente,
instalado no enfático.
Nu metódico.
Café sintomático
embebido no silêncio/ eufórico
(euforia estática)
Preservo métodos
de me abster do que não vejo.
torpe pensamento
ludibriado
pelo
prazer."

quinta-feira, 5 de março de 2015

Mergulho de cabeça no raso.
Quebro a cara.
Dói.

Se fosse fundo, talvez eu boiasse
Depois de mergulhar...
Tenho medo de profundidade.

Sei que não gosto do raso.
Machuca. Arranha.
Traz nada de novo.

Mas faz ferida.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Tire-me as vestes
Tire-me os lugares
Tire-me frágeis utopias...
Mas os devaneios não. Estes são meus, só meus. Minha mais liberta forma de lidar com os maus do mundo. Minha liberdade, meu mundo romântico, sonhador, afetivo, de respeito e igualdade...
Os devaneios, não!
Não me tire os devaneios.