terça-feira, 28 de novembro de 2017

02/07/2016

De poucas coisas não se herda culpa.
Há quem não tenha culpa por deixar uma pessoa acamada sozinha em casa;
Há quem não sinta culpa pelo erro de outrora;
Há quem não se culpe por dizer claras verdades;
Há quem não se culpe pelas culpas não ditas.
Se em todo o resto há culpa, não culpe as desculpas.

03/11/2017

Arranque-me expressões descrentes
Pensamentos sem razão
Arranque-me utopias
Na vasta solidão
Arranque-me as palavras
Substituídas em lágrimas
Certifique-se de ceifa-las
Ou retomarei-as de prosa
Afugente-me de mim
De passos largos recobro, no fim
Não me importa o que te entrego
Se sempre há de voltar para mim
Doce dissabor
Pura sinestesia
Puta covardia
A vida vivida
Neste baile
Me transborda/transporta o coração.
No fim

toma conta do teu grito

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

13/06/15

Eu tenho um templo chamado corpo
Totalitado de um todo não visível
Onde jaz um reino apalpável à mim
Um caminho não visto pelo todo
Uma fortaleza guardada para mim
(feita sob medida)
Acalenta-me a maior das dores
Esconde-me do pior dos olhares
Diz-me que sou além de mim.

O corpo chora
A  alma padece
O corpo padece
A alma aflora
O corpo padece
Alma à fora

17/03/17

Abro o véu que há em mim
Te deixo entrar
para mostrar camadas encobertas
Por puro ego meu
Visto um sorriso pleno
dotado de devaneios e alusões
Iludo com canto mudo
Meu troféu de ilusões
Capacito meus ouvidos a te ler
Decoro olhares pra te entreter
Bocejo palavras aflitas, mendigas, ríspidas
repetidas, perdidas, assíduas
Caso pensado
Te deixo entrar e sair
Deste universo
Cá em mim.

Um vinho cai bem

Tarde e chuva
lembra e revela
ar de ninho
corpo e vinho

Sereno, menino
água vestindo
verdes finos
ouço gotas rastejantes

Prenda cara
rara vista
endossa e cumpre
beleza tinta da conexão servida

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

10/08/17

Tudo em você me diz
O quanto a vida é rara
O quanto a vida é leve (leve e traga)
Leva a traz
O quanto a fuga é breve
Leve figura breve
A fuga traz
Ficar não diz
Pensar desfaz
Escrever condiz

Sou breve criatura no espaço-tempo
Tempo imploro perdão
Tempo me pego de visão
Tempo ora em comunhão
Sou breve criatura no espaço do meu tempo

Rara exceção em estado de espiação
Observo e não comento
Observo e rogo vento
Faço fogo e me esquento
Choro água e nela me purifico
Pé na terra, me faço fixa
Com o pé cravado na terra e a cabeça na esquina
Na fita, no céu, na melodia, na memória
aflita, no meio do dia, na menina, na (des)harmonia... na cantiga
Eis o que olhar para dentro me diz

_Prazer, a Deusa que habita em mim, te saúda e sorri para ti.

De saudades em saudades, remonto um blogue.

É noite.
Sentada, só, num banco alto dum ônibus qualquer
As pessoas na rua são pinturas
A rua é caos
Os fones são alento
O vento me beija
Meu cabelo esvoaça
Retribuo
Jogo amor pela janela

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Ensaio de uma volta

Chego de leve e vos deixo uma prosa melodia. Viva Tom Zé!

"meu sangue é de
gasolina
correndo, não tenho
mágoa
meu peito é de
sal de fruta
fervendo no copo
d´água"

domingo, 16 de agosto de 2015

"Não sejamos breves"

Todos andam muito rasos
E eu que não ando. Transbordo.
Me perco com frequência.
Tolero paredes como se tolerasse bares.
Atropelo momentos, como se atropelasse pedras.
Tenho a cara enlouquecida, tamanha falta de destreza com os outros
Os outros...
Tenho cara de prisão de ventre, comparada à cara dos outros
Não sejamos breves.
Não sejamos breves.
Não sejamos breves.
Como um mantra ecoa
E eu.. que tento ser brisa
Me vejo tempestade, em meio aos outros
Tempestade com cara de prisão de ventre.
Tenho apetite de imensidão.
E um peito açoitado
Peito assolado
Peito avesso
Mas guardado e cheio de apetite, saliva por imensidão.

sábado, 23 de maio de 2015

.

"Disserto sobre o caos apoteótico
da paixão sub-humana
Sobre o humano. subaquático.
Esporão transcendente,
instalado no enfático.
Nu metódico.
Café sintomático
embebido no silêncio/ eufórico
(euforia estática)
Preservo métodos
de me abster do que não vejo.
torpe pensamento
ludibriado
pelo
prazer."